Não nos dissemos tudo,
Nem nos demos nada.
Nosso encontro,
Agendado pelo destino
Se fez acontecido...
Esquecido...
Distraído...
Sofrido.
Não se fez o que queria,
Não se deu o que podia,
Não se amou como devia,
Não se sonhou como seria.
Pois não se planejou...
Não se preparou...
Nem se fez bonito.
E quando encontrado estava o amor,
Não se pôde segurá-lo...
Cuidá-lo.
Pois não era nosso,
A outros pertencia.
Fora dado e prometido
Em tempos não sabidos...
Em vidas já vividas..
Que por outras vidas agora
Sobrevive e caminha,
Cansado, alquebrado,
Infeliz e consciente
Que por ser verdadeiro
Tem que cumprir sua sina...
Doer calado,
Chorar silencioso,
Viver,
Sobreviver....
Para que os outros,
Filhos, frutos colhidos
Frutifiquem-se e continuem...
E nós,
Amadurecidos pela dor...
Pela ausência
Um do outro,
Possamos saber que nos demos por inteiro,
Para que ele, o Amor
Mesmo maior que toda colheita,
Se esconda nas lágrimas,
Se encontre na dor...
Que se findará com a própria vida,
E quem sabe numa outra
Renasça e se reencontre
Para ser pleno
E finalmente
Poder florir...


Autora: Norma Andrade





 

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